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A IMPORTÂNCIA DAS PRÁTICAS AMBIENTAIS NA ARQUITETURA E O PAPEL DO ARQUITETO COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO

  • Foto do escritor: Otávio França
    Otávio França
  • 25 de jan.
  • 2 min de leitura



A arquitetura contemporânea configura-se como um campo em constante reinvenção para atender às demandas sociais, econômicas e ambientais. Nesse cenário, a incorporação de práticas sustentáveis transcende a mera escolha técnica; torna-se uma necessidade ética essencial para minimizar impactos ambientais e garantir benefícios a longo prazo aos usuários. Como defendia Jane Jacobs (2011), a vitalidade de um território depende de uma complexidade orgânica que começa na escala do edifício e se estende à calçada. Portanto, desde a concepção projetual, passando pela escolha de materiais e sistemas construtivos, até o uso final, a sustentabilidade deve ser o fator que agrega valor intrínseco e qualidade à arquitetura. O arquiteto e urbanista assume, assim, o papel de protagonista e principal responsável por integrar eficiência ambiental, social e econômica em seus projetos. Essa responsabilidade reflete-se tanto na escolha de materiais de baixo impacto quanto na definição de soluções que melhorem a qualidade de vida urbana.


Atuando como consultores da sociedade, esses profissionais detêm o poder de influenciar e conduzir a maneira como construímos no futuro, promovendo uma conscientização ambiental necessária na construção civil. Inspirados pela "acupuntura urbana" de Jaime Lerner (2003), compreende-se que a educação ambiental é um processo geracional em que pequenas práticas, como a destinação correta de resíduos e o apoio ao consumo consciente, podem transformar a realidade de comunidades. Para que essa mudança seja perene, é fundamental que o profissional viva os valores que projeta, fomentando uma cultura de preservação no território em que atua. No entanto, o setor enfrenta o desafio crítico do desperdício, um problema sistêmico que Peter Hall (2016) associava a falhas no planejamento e na formação educacional. Atualmente, cerca de 50% dos resíduos da construção civil são descartados inadequadamente, gerando um impacto financeiro que pode atingir 8% do custo total de uma obra. Reverter essa lógica exige uma mudança de hábitos culturais e a qualificação da mão de obra para o uso de materiais mais eficientes.


Educar o cliente sobre escolhas conscientes também é um passo crucial, demonstrando, através de números e exemplos práticos, os benefícios de soluções sustentáveis. Essa tendência reflete uma busca crescente por produtos que causem menos impacto ambiental. Contudo, a necessidade de uma melhor educação ambiental é evidente para que a sustentabilidade seja aplicada com frequência, superando preconceitos culturais nas instituições de ensino. A inclusão da temática nas grades curricularespermitirá que novos profissionais ingressem no mercado com uma visão alinhada às demandas ambientais. Entre as soluções práticas, destacam-se tecnologias industrializadas como steel frame, wood frame, construções modulares e impressão 3D, além da bioconstrução e do aproveitamento de ventilação e iluminação naturais para reduzir o consumo energético. Os benefícios são numerosos, incluindo a valorização do imóvel por meio de certificações e incentivos fiscais, como o uso de telhados verdes. Em última análise, a sustentabilidade na arquitetura não é apenas uma tendência, mas uma urgência que exige que arquitetos e urbanistas liderem a transformação, promovendo bem-estar social e eficiência em cada projeto.


REFERÊNCIAS


HALL, Peter. Cidades do Amanhã: uma história intelectual do planejamento e do

projeto urbanos no século XX. São Paulo: Perspectiva, 2016.

J

ACOBS, Jane. Morte e Vida de Grandes Cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2011.


LERNER, Jaime. Acupuntura Urbana. Rio de Janeiro: Record, 2003.


Otávio Henrique Ribeiro França

Arquiteto e Urbanista


 
 
 

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